16/07/09| NPA
Bom Despacho
Distante 156 km de Belo Horizonte, Bom Despacho reserva alguns aspectos culturais que merecem atenção daqueles que visitam a região.
O município conserva um importante espaço, o Museu da Cidade, que abriga esse potencial artístico e turístico de toda a região do Alto São Francisco.
Iniciativa da artista plástica Nilce Coutinho Guerra, o museu foi criado em 1998 com o apoio de empresas, instituições e famílias que doaram peças formadoras do acervo e das instalações museológicas do local.
Um ano após a criação do museu, foi instituída a Associação do Museu da Cidade (AMC), com o objetivo de ajudar suas ações, e que está completando dez anos de atividades. "A AMC veio para ajudar o museu. Apesar das dificuldades em manter nossas atividades, as perspectivas quanto ao futuro são empolgantes", afirma Nilce.
Composto por um acervo diversificado, o museu contempla importantes peças arqueológicas, documentos históricos do município, além de realizar vários eventos que estimulam a criatividade e a produção artística da comunidade, principalmente das crianças da região.
"Enfrentando as dificuldades de fazer cultura, principalmente no interior do Brasil, a AMC vem cumprindo suas finalidades de manter o Museu da Cidade, em parceria com a prefeitura. A AMC deu apoio ao desenvolvimento do Museu e colaborou na realização de importantes eventos, destacando-se a Vitrine da Memória, os Concursos de Presépios e as Exposições de Arte Infantil, promoções realizadas anualmente", afirma Jacinto Guerra, secretário-geral da Associação Museu da Cidade.
No entanto, o museu vem lutando para abrigar suas exposições e peças. "Nosso maior problema é a falta de um espaço adequado. O Museu da Cidade funciona em um prédio da prefeitura e a falta de espaço e visibilidade representam problemas para o seu desenvolvimento", conta a diretora do museu, que também destaca a importância de se obter um local adequado para abrigar o vasto material arqueológico constantemente encontrado na região.
Arqueologia. "Toda a região do município tem imenso valor histórico, pois são descobertos ali diversos sítios arqueológicos. Temos material datado de mais de 1.500 anos. Nossa meta, nesse sentido, é colocar Bom Despacho no hall de importância arqueológica brasileiro", comenta.
Embora mesmo com as dificuldades de manutenção, falta de funcionários e ambiente adequado para receber os visitantes, o Museu da Cidade, ao longo desses anos, nunca interrompeu suas atividades.
"Vamos mantendo nossas ações a partir da vontade de voluntários. Porém, jamais deixamos de receber visitantes, sejam de Bom Despacho ou de outros municípios e países. Estamos sempre promovendo ações para estimular a ajuda da comunidade e também seu potencial artístico. A participação das escolas da cidade e da região é um aspecto a ressaltar. Sempre recebemos visitas", afirma Nilce.
A museóloga afirma que, na próxima semana, representantes do museu e da ACM se reunirão com lideranças do município e também do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para discutir questões relacionadas à entidade.
Importantes peças do acervo do Museu da Cidade
O Museu da Cidade possui, em seu acervo, variado material que documenta fases da história da cidade; de personalidades que marcaram passagem e deram exemplos de cidadania, além de objetos de outros países e do Brasil. Duas peças, um quadro a óleo da matriz de Bom Despacho, de autor desconhecido, e um grande vaso de cerâmica pré-colombiana, com ossadas humanas, encontrado na Fazenda Indaiá, integram a relação de bens tombados pelo Conselho Municipal do Patrimônio cultural.