A CRIAÇÃO DO PARQUE ARQUEOLÓGICO
DA SERRA DE SANTO ANTÔNIO
Com trabalho sério e persistente, os membros do NPA – inicialmente vistos
como loucos e sonhadores – gradualmente conseguiram o respeito da comunidade,
que começou a se envolver no esforço pela preservação da Serra de Santo
Antônio. No imaginário coletivo, as pinturas rupestres já não eram uma
bobagem feita por algum caçador no passado recente: elas passaram a
ser entendidas como registros gráficos milenares de povos desaparecidos.
E que, pela sua importância, constituíam o principal patrimônio cultural
de Andrelândia.
Assim, quando em 1994 o NPA lançou a campanha de arrecadação de fundos
para a compra do terreno onde seria criado o Parque Arqueológico, a
adesão da população foi maciça. Mais de 10% da população do município
– ou aproximadamente 1.500 colaboradores em 14.000 habitantes – participaram
diretamente das atividades, um índice difícil de ser igualado. Shows,
camisetas, adesivos, doações de membros do NPA e de colaboradores, exposições,
gincanas, campanhas e similares ajudaram a mobilizar a população e a
reforçar a sua auto-estima.
Isto viabilizou as primeiras e mais essenciais providências para a criação
do parque, incluindo a compra da área de 12 hectares junto às pinturas
rupestres. A área, apesar de pequena, é belíssima e deslumbra a todos
os visitantes. Nela estão combinados diferentes ecossistemas, incluindo
mata atlântica, cerrado, campo de altitude, cavernas e brejos.
Após a compra foram implantadas as medidas mínimas indispensáveis para
a operação provisória do parque e para a recuperação ambiental, como
reflorestamento, estrada, ponte, cercas, trilhas, sinalização, construção
de uma recepção simples, treinamento de guias etc.. Tudo isto, incluindo
a compra do terreno, foi feito com recursos que não chegaram a R$ 20.000,00.
Este aparente milagre pôde ser realizado graças ao apoio da população,
de autoridades e do comércio local.
LOCALIZAÇÃO
O Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio está situado na serra
de mesmo nome, localizada no município de Andrelândia, Sul de Minas
Gerais, e tem sua posição determinada pelas coordenadas geográficas
21º, 47’ 25’’ S e 44º, 19’, 34’’ W.
Sua área é de aproximadamente 12,00 ha. (doze hectares), com altitudes
variando entre 1.000 e 1.200m.
A estrada de acesso ao Parque não é pavimentada e o último quilômetro
compreende um aclive bastante acentuado, mas que é facilmente superado
por carros com tração 4x4 ou tração traseira.
AS PINTURAS RUPESTRES DA SERRA DE SANTO
ANTÔNIO
No sítio arqueológico Toca do Índio, situado na Serra de Santo Antônio
(Andrelândia-MG) está o mais espetacular conjunto de pinturas rupestres
conhecido no Sul de Minas Gerais. São mais de 500 figuras geométricas
e zoomorfas, dispostas ao longo de cerca de 50 metros de um enorme paredão
rochoso, em um local abrigado da chuva e junto a uma paisagem deslumbrante.
Estas pinturas foram as primeiras representantes conhecidas da Tradição
São Francisco no Sul de Minas Gerais – anteriormente esta tradição só
era conhecida no Norte do estado, junto ao Rio São Francisco – e há
evidências de terem sido feitas em pelo menos três épocas diferentes.
O local tem ainda intrusões da pouco conhecida Tradição Astronômica.
A datação direta de pinturas rupestres ainda é um grande desafio para
a Arqueologia em todo o mundo. No entanto, a aplicação do método do
Carbono-14 a outros vestígios encontrados junto ao paredão das pinturas
indicou mais de 3.000 anos de idade, o que reforça a importância do
sítio. E a interpretação do significado das pinturas é um desafio ainda
maior, pois a Arqueologia não dispõe de um mínimo de informações para
isto. Assim, podemos contemplar e admirar as pinturas, mas estamos longe
de compreendê-las.
As pinturas rupestres da Serra de Santo Antônio constituem o mais importante
patrimônio cultural – e estamos considerando aqui os patrimônios artístico,
histórico e pré-histórico – de uma vasta área de Minas Gerais. E a Natureza,
como que ciente do seu valor, cuidou de conservá-las em estado razoável
por dezenas de séculos.
Infelizmente, em poucas décadas de visitação as pinturas estavam sendo
rapidamente destruídas. Fogueiras acesas pelos visitantes enegreciam
o paredão e os próprios registros rupestres; a retirada de lembrancinhas
– ou seja, lascas do paredão contendo pinturas – causava destruição
irremediável; o desmatamento da vegetação contígua ao abrigo expunha
as pinturas ao sol. E ainda mais absurdo, alguns escreviam o próprio
nome sobre as pinturas.
Se nada fosse feito, em breve muito pouco restaria das pinturas – ou
mesmo nada. Fazendo uma analogia, é como se as imagens de Aleijadinho
em Congonhas do Campo estivessem abandonadas, à mercê dos visitantes
e vândalos. Com um agravante: se Aleijadinho e suas obras são bastante
conhecidos, as pinturas da Serra de Santo Antônio ainda constituem um
total enigma.
Era fundamental o desenvolvimento de um projeto de preservação, para
que as futuras gerações possam conhecer o riquíssimo patrimônio cultural
existente na Serra de Santo Antônio. E que, dotadas de novos conhecimentos
e recursos tecnológicos, pudessem talvez até entendê-lo e interpretá-lo.
Foram essas as razões que fizeram o NPA assumir a responsabilidade de
proteger o patrimônio arqueológico local, salvando-o da destruição.
ASPECTO AMBIENTAL
A região de Andrelândia é de colonização antiga para os padrões brasileiros.
Os índios, que viviam aos milhares na região em grandes aldeias, foram
dizimados (provavelmente durante o ciclo do ouro) a ponto de não se
encontrarem pessoas com traços fisionômicos indígenas e de haver poucos
vestígios de palavras de origem tupi-gurani na toponímia da região.
O solo, ácido e com pouca matéria orgânica, e o clima seco, não favorecem
o crescimento rápido da vegetação.
A principal atividade econômica é a pecuária leiteira e a queimada anual
dos pastos é a prática de manejo usual.
Como resultado a região de possui um grande índice de destruição de
sua cobertura vegetal original.
Na região da Serra de Santo Antônio existem inúmeras nascentes, abrigos
rochosos e capoeiras (remanescentes de Mata Atlântica) que servem de
refúgio para animais silvestres, de forma que a criação de uma Unidade
de Conservação com o objetivo de colocar a salvo esses valores ambientais,
inclusive para a promoção da indispensável educação ambiental, seria
fundamental.
FLORA
Segundo consta do Atlas para a Conservação da Biodiversidade de Minas
Gerais, da Fundação Biodiversitas (Belo Horizonte, 2005), a área onde
se encontra situado o Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio
(Alto Rio Grande/Serra da Mantiqueira) é considerada como prioritária
para a conservação da flora no Estado, sendo extremamente relevante,
ainda, a proteção da matriz abiótica da região, representada pelo relevo,
solo e água, que exercem papel essencial na preservação da biodiversidade
local.
A cobertura vegetal existente no município de Andrelândia é integrante
do bioma Mata Atlântica.
O NPA já promoveu o reflorestamento de aproximadamente 4,00 ha. (quatro
hectares) da área do Parque fazendo o plantio de mais de cinco mil mudas
de espécies da flora nativa tais como ipês, jacarandás, angicos, quaresmeiras,
araucárias, cedros, candeias etc.
Foi também implantado um viveiro para produção de mudas na própria reserva,
viabilizando o aumento da ação preservacionista na região do Parque.
FAUNA
Após o início dos trabalhos de implantação do Parque Arqueológico da
Serra de Santo Antônio percebe-se claramente o aumento de espécimes
da fauna silvestre na região, que está mais protegida.
Dentre os animais existentes na região do Parque Arqueológico, pode-se
citar:
Mamíferos: Lobo Guará, Ouriço, Gambá, Mico-Estrela, Bugio, Jaguatirica,
Suçuarana, Tatu, Veado Campeiro.
Aves: Pintassilgo, Canário Chapinha, Gavião Cará-cará, Coleirinha, Coruja,
Bem-te-vi, João-de-barro, Seriema, Jacu, Tucano.
Répteis: Cascavel, Urutu, Jararaca, Coral, Calango, Lagarto Teiú.
HIDROGRAFIA
Na região do Parque existem várias nascentes d’água, algumas perenes
e outras intermitentes. O volume de água das nascentes tem aumentado
visivelmente após o isolamento das mesmas e o reflorestamento da área
de entorno.
As águas são drenadas em direção ao Córrego Santo Antônio, que é afluente
do Rio Turvo Grande. O Rio Turvo Grande, por seu turno, deságua no Rio
Aiuruoca e este no Rio Grande.
PRINCIPAIS ATRAÇÕES
Pinturas rupestres - Localizadas na base esquerda do paredão rochoso,
as pinturas rupestres constituem a maior atração do Parque.
Gruta dos Novatos - O primeiro desafio para quem quer visitar as pinturas
rupestres. Trata-se de uma fenda rochosa com cerca de 12 metros de extensão
por onde o turista aventureiro não pode deixar de passar.
Gruta do Lagarto - Beleza e aventura em seu interior.
Pedra dos Amores - Trata-se de um dos pontos mais altos dentro da área
do Parque (1.212m de altitude) de onde se descortina uma maravilhosa
vista da região.
Pedra do Gavião - Mirante rochoso de onde se pode observar toda a área
do Parque. Está a 1.150m de altitude.
Itapira - Interessante formação rochosa situada no limite sudoeste do
Parque. Em linguagem indígena, Itapira significa "pedra empinada".
Pico - Após uma emocionante escalada por paredões rochosos, o turista
sente-se recompensado pela magnífica paisagem das Minas Gerais. Está
a 1.393m de altitude e proporciona uma visão de 360°.
INFRA-ESTRUTURA IMPLANTADA
Reflorestamento: já foram plantadas cerca de 5.000 mudas de árvores
da flora nativa. A vegetação original, que se encontrava muito degradada
pelas queimadas sucessivas e pelo desmatamento, está em franca recuperação.
Recepção: foi construída uma pequena instalação para recepção aos visitantes
e de apoio aos serviços, na portaria do parque.
Estrada de acesso: foram construídos quase 2 km de estrada de terra
simples, incluindo uma ponte.
Paisagismo: o projeto paisagístico do local já está sendo implantado.
Trilhas: centenas de metros de trilhas - que ainda requerem melhorias,
principalmente visando a segurança dos visitantes - foram construídos
para facilitar a visitação e evitar o pisoteio da vegetação nativa.
Sinalização: placas educativas e de orientação foram espalhadas pelo
parque e seus acessos.
Vigilância: já existe um esquema mínimo de vigilância, cobrindo parcialmente
as necessidades do parque.
Cercas: as cercas foram recuperadas e vêm sendo mantidas em condições
razoáveis, para impedir a entrada de gado, o que prejudicaria a vegetação
e o trabalho de reflorestamento.
VISITAÇÃO
O Parque Arqueológico funciona de terça-feira a domingo, das 09:00h
às 16:00h.
As visitas são permitidas mediante o acompanhamento de guia credenciado
pelo NPA. É cobrada uma pequena taxa para conservação e melhoramento
da infra-estrutura.
A época das chuvas deve ser evitada, uma vez que a estrada de acesso
e as trilhas ficam muito escorregadias.
Antes de qualquer visita sugere-se fazer contato telefônico com os membros
do NPA: José Antônio de Almeida (35-3325-1680) ou José Marcos (35-3325-1006
ou 1439).
GUIAS DE TURISMO CREDENCIADOS PELO NPA
Carla Roberta da Silva
Endereço: Rua
Dr. João Octacílio Silva, 112 – Bairro Areão
Telefone:
3325-2190
Cristiane de Fátima Silva
Endereço: Rua Dr. João Octacílio Silva, 112 – Bairro Areão
Telefone:
3325-2190
Edivaldo Luiz da Silva
Endereço: Rua Lincoln de Azevedo, 410 – Bairro São Dimas
Telefone:
3325-2352
Elaine de Paula C. Nogueira
Endereço: Rua São João Del Rey, 100
Telefone:
3325-1227 ou 3325-1966
Graziella Roberta Ventura
Endereço: Rua Joaquim Gonçalves Ferreira – Bairro Areão
Telefone:
3325-2190
Karliane Rafaela de Oliveira Carvalho
Endereço: Rua Aiuruoca, 22 – Bairo Areão
Telefone:
3325-1367
Maria Arminda Neves
Endereço: Rua Joaquim Gonçalves Ferreira, 255 Bairro Areão
Telefone:
3325-2206
Odivaldo Carvalho Cruz
Endereço: Rua Joaquim Tibúrcio, 247 – Bairro São Dimas
Telefone:
3325-2055
Paulo Henrique Silva Seixas
Endereço: Rua
Evaristo Chaves, 101 – Bairro Areão
Telefone:
3325-1706 ou 3325-2591
Paulo Magno Gonçalves
Endereço: Rua
Rio Preto, 213 – Fundos – Bairro Rosário
Telefone:
3325-2508
Roseli Maria da Silva
Endereço: Rua
David Oliveira Pontes – Bairro Belo Horizonte
Telefone:
3325-2240
Wesley Francisco Silva
Endereço: Rua
André da Silveira, 86 – Bairro Nossa Senhora de Fátima
Telefone:
3325-1907
OBSERVAÇÔES
1) O valor da taxa de visitação é de R$ 2,50 (dois reais e cinqüenta
centavos) por pessoa, sendo que o ingresso pode ser adquirido no próprio
Parque.
2) Cada guia poderá conduzir um grupo de no máximo dez pessoas.
3) O valor sugerido para remuneração dos guias é de R$ 15,00 para cada
grupo de até dez pessoas (incluindo visitação a todas as atrações do
Parque, exceto o Pico). Para o monitoramento de visita completa (incluindo
o Pico) sugere-se o valor de R$ 20,00.
CUIDADOS DURANTE A VISITAÇÃO
Ao visitar o Parque lembre-se que o respeito à natureza e ao patrimônio
arqueológico é o mais importante. Colabore com a preservação desses
valores, respeitando suas normas de visitação.
Para sua maior segurança e tranquilidade, observe os seguintes cuidados:
· Ande somente pelas trilhas.
· Evite andar desacompanhado e não deixe as crianças sozinhas.
· Procure orientação de guias credenciados pelo NPA.
· Use roupas e calçados adequados.
· Não faça fogo.
· Recolha seu lixo e deposite-o nos locais a ele destinados.
· Respeite as plantas e os animais.
· Não toque as pinturas.
· Não faça pichações.
· Não tire fotografias das pinturas utilizando flash.